A Meta acabou de quebrar o relatório de atribuição em duas métricas separadas: click-through (quem clicou no anúncio antes de converter) e engage-through (quem só interagiu, parou pra ver, expandiu o vídeo). E essa quebra muda como você prova ROI pro cliente.
O que mudou no relatório
Até abril de 2026, todas as conversões atribuídas pela Meta ficavam em uma caixa só. Você via "1.200 conversões via Facebook" e tinha que confiar. Agora a plataforma separa:
- Click-through conversions: pessoa clicou no anúncio e converteu dentro da janela.
- Engage-through conversions: pessoa engajou de outra forma (assistiu mais de 3 segundos do vídeo, expandiu o carrossel, salvou) e converteu depois sem clicar.
Parece detalhe, mas não é. Engage-through historicamente representava 30 a 50% do total atribuído em campanhas de Advantage+ no Brasil, segundo dados de teste de agências que rodaram lift studies em 2025.
O impacto direto na narrativa que você entrega
Tem dois tipos de cliente que vão reagir a esse split.
O primeiro é o que sempre desconfiou da Meta. Esse vai usar engage-through como prova de que a plataforma "infla número". Você precisa entrar nessa conversa com argumentos de incrementality (já falamos disso em incrementality testing com geo-experiments) e não com defensiva.
O segundo é o que comprava qualquer número que você mostrasse. Esse vai começar a perguntar "esses 50% de engage são reais?" e você precisa ter resposta pronta antes da pergunta chegar.
Como apresentar engage-through sem perder credibilidade
O caminho que tem funcionado nas agências mais consistentes é:
- Mostre as duas métricas separadas, sempre. Nunca esconda. Cliente que descobre depois fica com pé atrás eternamente.
- Use blended ROAS como métrica primária. ROAS calculado em cima do total da Meta + receita real do cliente, dividido pelo investimento total. É o que ferramentas como Ag.Hub, Looker Studio, Klipfolio e AgencyAnalytics conseguem cruzar quando você integra a fonte de receita real (Shopify, RD Station, HubSpot).
- Compare engage-through com lift incremental periodicamente. A cada 2 ou 3 meses, rode um teste de 2 semanas com geo holdout pra calibrar o quanto da engage-through é orgânico vs incremental.
O que muda pra otimização de campanha
Aqui mora a parte interessante pra quem otimiza no dia a dia. O algoritmo da Meta vai continuar usando o sinal completo (click + engage) pra otimizar. Mas agora você pode olhar a quebra e tomar decisões diferentes:
- Campanha com 80% de engage-through e ROAS alto: provavelmente está pegando audiência que ia comprar de qualquer jeito. Vale testar audience saturation.
- Campanha com 70% de click-through e ROAS médio: está convertendo gente nova, vale escalar.
- Campanha com mix 50/50: saudável. Mantém.
Engage-through não é vilão. É só uma métrica que precisa de contexto pra parar de mentir pra você.
O que NÃO fazer
Tem agência que vai cair na tentação de "esconder" engage-through pra não ter que explicar. Não faça. Cliente que pega isso uma vez nunca mais confia. Pior: alguns clientes já estão recebendo o relatório nativo do Meta direto, sem passar pela agência. Se a sua versão tem número diferente, você queima.
Como aplicar essa semana
- Entra no Ads Manager, abre uma campanha ativa de 30+ dias e ativa o segmento "Attribution type" no relatório customizado.
- Anota o % de engage-through por cada conjunto de anúncios. Identifica quais estão com mais de 70% e marca pra investigar.
- Ajusta o template de relatório do cliente pra incluir as duas linhas separadas, com nota explicativa curta.
- Agenda um lift test pros próximos 30 dias nas campanhas de maior volume, pra ter número incremental real.
O que levar
- Engage-through não é fraude, é uma métrica que sempre existiu, agora só ficou visível.
- Mostrar a quebra antes do cliente perguntar é diferença entre confiança e crise.
- Blended ROAS + lift incremental é o caminho pra parar de brigar com cada split de plataforma.
- Quem usa Ag.Hub, RD Station ou Klipfolio integrados com fonte de receita real consegue cruzar essas três camadas em um painel só, em vez de juntar planilha.
Se você ainda quer entender melhor como a Meta está virando uma máquina de IA bruta, vale revisitar Meta AI Business Assistant e Meta Andromeda em 2026.
Fontes e referências
Dados compilados de fontes públicas e relatórios do setor.